Já que não dá pra contar as últimas dos clientes (são muito cabeludas e se descobrirem isso aqui, já viu...) vou reclamar dos fornecedores :)Não sei se já é a proximidade do fim de ano, ou se estão tentando me enlouquecer, mas os fornecedores andam particularmente tontinhos.
Pois vejam que precisei encomendar umas canetas promocionais para um evento. Sim, sempre é para um evento, e eventos, como vocês sabem, são implacáveis, inadiáveis, tornando o fator prazo um stress a mais na vida do designer.
Com o prazo já curto, resolvi cortar caminho e encomendar as canetas diretamente para o fornecedor com quem já trabalhei diversas vezes, inclusive para este mesmo cliente, sem fazer pesquisa de preços e tal. Aqui ele será denominado Fornecedor 1. Acontece que desta vez o atendimento foi especialmente lento, especialmente equivocado, especialmente buinho (tontinho...). Nada dava certo, desde a demora em me passar o custo total das canetas (tive que pedir por email diversas vezes, a moça não recebia) até o recebimento da arte a ser impressa (tive que enviar por email diversas vezes, a moça não recebia).
Com o prazo estourando e a moça enrolando, parti para uma abordagem agressiva ao telefone: ligava compulsivamente pra cobrar tudo. Acontece que quase sempre que eu ligava estavam todos em horário de almoço, esse luxo! (mal me lembro o que é isso...). Por fim, na milésima vez em que liguei e precisava de uma informação, o moço que atendeu viu que tava brabo e pediu que eu esperasse, pois a moça que me atendia estava em horário de almoço mas encontrava-se na empresa e poderia talvez-quem-sabe me responder. Sim, ela podia estar presente, mas estando em seu mágico horário de almoço não falava com as pessoas, mesmo que estivessem prestes a ir para o seu evento sem caneta alguma. Foi o fim do nosso amorrrrrr...
Devido ao total desespero, começo a enviar pedidos de orçamentos para diversos outros fornecedores - já com prazo mega-hiper-apertadíssimo e achando que a vaca tinha ido pro brejo - tudo isso amaldiçoando o Fornecedor 1 até o último chaveirinho promocional e com o cliente no meu pé. Nisso um dos pedidos de orçamento vai para o destinatário errado! Envio perguntas sobre os modelos de canetas (com as respectivas referências) de um Fornecedor 2 para o mesmo Fornecedor 1, praticamente o pior pesadelo de todo envio de orçamento que faço: confundir os fornecedores. E vocês acham que o Fornecedor 1 se tocou do meu delírio? Pois recebi uma resposta ao pedido de orçamento errado de um outro atendente da mesma empresa (Fornecedor 1). É, pelo visto eles não se comunicam... Daí me veio a luz: será que, dentro do Fornecedor 1, o Atendente 2 é mais ágil que a Atendente 1 (a moça), sendo ambos do mesmíssimo fornecedor??!?!?
Desisti de levar adiante a conversa por email para tirar esta intrigante dúvida quando percebi que o Atendente 2 me perguntou diversos detalhes que já estavam explicados no pedido de orçamento que enviei, reforçando a tese de que as pessoas se recusam a ler os emails até o final (os que eu escrevo, claro!). Além disso, também me intrigou o fato de ele não ter achado estranho as referências numéricas que mandei, eu hein!
Nota: por fim as canetas chegaram em tempo, ficaram lindas e tudo foi sucesso total! Tudo com o Fornecedor 2. Ufa!
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Ser mulher é tão fácil... ou Os vestidos-mala
Como todos sabem, duas vezes ao ano eu viajo para trabalhar na organização de um evento e fico doidinha: o trabalho é muito. Pois esse ano, como nos outros, viajei praticamente fugida com os demais clientes me perseguindo e o volume de trabalho não dando trégua.
Acontece que, toda vez que viajo, começo a arrumar a mala uns três dias antes, pois assim vou jogando lá tudo o que vou lembrando ser essencial para levar, fica mais difícil esquecer alguma coisa. Parece um tanto estranho, mas este ano não consegui fazer isso e vejamos no que deu:
Terninho cereja - levei para o primeiro dia de evento: esqueci os fechos do blazer, que são guardados separados do terno. Sem eles a roupa é inusável, a não ser que eu comprasse uma fita de cetim para amarrá-lo, como me foi sugerido, o que eu até achei que ia ficar legal, mas imaginem, não tinha tempo nem pra respirar quanto mais pra achar um armarinho numa cidade distante.
Vestido 1 - para o coquetel de confraternização: esqueci de levar a meia calça que usaria com ele para que não parecesse indecente ou inadequado para o evento.
Vestido 2 - para o segundo dia de evento: esqueci o sutiã que é próprio para usar com ele, que encaixa perfeitamente em suas alças.
Vestido 3 - para o terceiro dia de evento: esqueci a meia-calça 2 que ia com este, também não foi usado.
Com que roupa circulei pelo evento nos três dias? Bem, não exatamente as roupas que planejei sendo que no terceiro dia quase tive que ir de pijamas, já que estes felizmente não esqueci.
Detalhe sórdido: esqueci os três vestidos que não usei no hotel! Final feliz pois os mesmos foram despachados para a filial do Rio, e já estão sãos e salvos aqui, embora eu estivesse quase querendo fazer uma fogueirinha com eles, nhunf!!
Acontece que, toda vez que viajo, começo a arrumar a mala uns três dias antes, pois assim vou jogando lá tudo o que vou lembrando ser essencial para levar, fica mais difícil esquecer alguma coisa. Parece um tanto estranho, mas este ano não consegui fazer isso e vejamos no que deu:
Terninho cereja - levei para o primeiro dia de evento: esqueci os fechos do blazer, que são guardados separados do terno. Sem eles a roupa é inusável, a não ser que eu comprasse uma fita de cetim para amarrá-lo, como me foi sugerido, o que eu até achei que ia ficar legal, mas imaginem, não tinha tempo nem pra respirar quanto mais pra achar um armarinho numa cidade distante.
Vestido 1 - para o coquetel de confraternização: esqueci de levar a meia calça que usaria com ele para que não parecesse indecente ou inadequado para o evento.
Vestido 2 - para o segundo dia de evento: esqueci o sutiã que é próprio para usar com ele, que encaixa perfeitamente em suas alças.
Vestido 3 - para o terceiro dia de evento: esqueci a meia-calça 2 que ia com este, também não foi usado.
Com que roupa circulei pelo evento nos três dias? Bem, não exatamente as roupas que planejei sendo que no terceiro dia quase tive que ir de pijamas, já que estes felizmente não esqueci.
Detalhe sórdido: esqueci os três vestidos que não usei no hotel! Final feliz pois os mesmos foram despachados para a filial do Rio, e já estão sãos e salvos aqui, embora eu estivesse quase querendo fazer uma fogueirinha com eles, nhunf!!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Yin X Yang
Ultimamente dei pra criar logos complexos, cheios de desenhos e detalhes. Daqueles que dá um trabalho do cão pra desenhar.
O problema é que os prazos continuam curtos, hostis para qualquer um que deseje passar horas e horas se distraindo com desenhos e firulas.
Nisso meu próximo projeto é uma revista de 112 páginas cheia de fotos e gráficos, ou seja, sai de baixo! O prazo é impublicável: pode ser usado contra mim!
Quando é que vou deixar essa coisa barroca de lado e voltar à boa e velha fase minimalista mesmo??!??
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Caos urbano I, II e III
As pessoas reclamam das mais variadas coisas que estão erradas no mundo, mas elas mesmas adoram uma confusão! É só colocarmos o pé pra fora de casa e estamos sujeitos a situações das mais surreais, e, às vezes, inacreditáveis...
Caos urbano I
Manhã, 8h30min: em plena Conde de Bonfim, uma espécie de avenida movimentadíssima na Tijuca, espero no ponto o ônibus para ir a um evento. Do outro lado da rua, uma mulher (na verdade uma perua que mudou de raça e deu uma de galinha espavorida) atravessa a rua fora da faixa de pedestres, em frente a um ponto de ônibus do lado oposto da rua, ao mesmo tempo em que acena para uma van genérica, que já estava de saída do ponto. A van pára no meio da rua, atravessada em diagonal, e assim ela pára todo o trânsito atrás, que fica a esperar a galinhola adentrar sua carruagem.
Caos urbano II
Tarde, 12h30min: saio para almoçar e atravesso uma rua de trânsito lento, porém intenso, que possui diversos quebra-molas. Antes de mim, a colega de trabalho havia atravessado a rua e quase sido atropelada por uma maluca que passou varada no quebra-molas. Quando termino de atravessar, sã e salva, ouço um barulho: paaffffff!!!!!!!!! Uma combi bate na traseira de um ônibus, a 50m do ponto do mesmo. O ônibus parou fora do ponto assim, subitamente, sem chances da pobre combi escapar. Felizmente ninguém se feriu e há um guarda municipal logo ao lado do acidente. Descobre-se que foi o guarda quem desceu do ônibus: o gordinho (o guarda...) havia pedido ao motorista que parasse antes de chegar ao ponto (não queria andar 50m). O gordinho sai correndo sem deixar pistas, só deixando confusão para trás. Um carro de polícia passa ao lado no exato momento em que o furdunço se forma e... passa reto! (e devagar, pois como sabem, todo motorista que vê uma confusão que está deixando o trânsito lento diminui a velocidade para dar uma boa espiada curiosa).
Caos urbano III
Tardinha, 16h30min: volto para casa num frescão, e perto de chegarmos o motorista resolve "cortar caminho". Assim, em vez de fazer um V ele estava fazendo um I, entrando numa ruazinha fora da rota original. Dessa forma deixou de passar (e talvez parar) num sinal de trânsito, o espertinho! Contudo, na hora de voltar para o caminho original, ficou preso na saída da rua-corta-caminho para a avenida. Montes de carros entravam em sua frente e a mágica ruazinha era na verdade muito estreita para que ele pudesse voltar ao caminho confortavelmente. Ficamos ali um bom tempo até que ele achasse uma brecha para voltarmos à rota original. Sim, um pequeno transtorno, mas ao menos agora todos sabemos porque o V e não o I é a rota designada para esta simpática linha de ônibus!
Ainda faltam a noite e a noitinha, e tenho que sair de casa novamente, uiiii.....
Foto:http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/riodejaneiro.spaceblog.com.br/images/gd/1216179270/REVITALIZACAO-DO-CENTRO-DO-RIO-GANHA-3-TORRES-DE-15-A-25-PAVIMENTOS.jpg
Caos urbano I
Manhã, 8h30min: em plena Conde de Bonfim, uma espécie de avenida movimentadíssima na Tijuca, espero no ponto o ônibus para ir a um evento. Do outro lado da rua, uma mulher (na verdade uma perua que mudou de raça e deu uma de galinha espavorida) atravessa a rua fora da faixa de pedestres, em frente a um ponto de ônibus do lado oposto da rua, ao mesmo tempo em que acena para uma van genérica, que já estava de saída do ponto. A van pára no meio da rua, atravessada em diagonal, e assim ela pára todo o trânsito atrás, que fica a esperar a galinhola adentrar sua carruagem.
Caos urbano II
Tarde, 12h30min: saio para almoçar e atravesso uma rua de trânsito lento, porém intenso, que possui diversos quebra-molas. Antes de mim, a colega de trabalho havia atravessado a rua e quase sido atropelada por uma maluca que passou varada no quebra-molas. Quando termino de atravessar, sã e salva, ouço um barulho: paaffffff!!!!!!!!! Uma combi bate na traseira de um ônibus, a 50m do ponto do mesmo. O ônibus parou fora do ponto assim, subitamente, sem chances da pobre combi escapar. Felizmente ninguém se feriu e há um guarda municipal logo ao lado do acidente. Descobre-se que foi o guarda quem desceu do ônibus: o gordinho (o guarda...) havia pedido ao motorista que parasse antes de chegar ao ponto (não queria andar 50m). O gordinho sai correndo sem deixar pistas, só deixando confusão para trás. Um carro de polícia passa ao lado no exato momento em que o furdunço se forma e... passa reto! (e devagar, pois como sabem, todo motorista que vê uma confusão que está deixando o trânsito lento diminui a velocidade para dar uma boa espiada curiosa).
Caos urbano III
Tardinha, 16h30min: volto para casa num frescão, e perto de chegarmos o motorista resolve "cortar caminho". Assim, em vez de fazer um V ele estava fazendo um I, entrando numa ruazinha fora da rota original. Dessa forma deixou de passar (e talvez parar) num sinal de trânsito, o espertinho! Contudo, na hora de voltar para o caminho original, ficou preso na saída da rua-corta-caminho para a avenida. Montes de carros entravam em sua frente e a mágica ruazinha era na verdade muito estreita para que ele pudesse voltar ao caminho confortavelmente. Ficamos ali um bom tempo até que ele achasse uma brecha para voltarmos à rota original. Sim, um pequeno transtorno, mas ao menos agora todos sabemos porque o V e não o I é a rota designada para esta simpática linha de ônibus!
Ainda faltam a noite e a noitinha, e tenho que sair de casa novamente, uiiii.....
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Dia 07

Para companhar melhor esta série recomendo a leitura do Prólogo.
Creio que foi no discurso da noite anterior que falou-se sobre o Buda Gautama dormir pouquíssimo, tipo 1, 2 horas ou simplesmente não dormir. Todas as noites antes do último período de meditação ouvíamos a um discurso com temas variados relevantes à prática, além partes da história de vida do Sidhartha Gautama. Seria a parte teórica de tudo, mas que eles também não gostam de dar mais ênfase que o necessário, pois como bem dizem Vipassana não pode ser um jogo intelectual, o foco é na prática e na experiência de cada um, o que você conseguir aprender com a sua própria experiência serão os ensinamentos mais valiosos que terá com esta prática.
Bem, dizia o discurso que, ainda assim, quando dormia o Buda ficava consciente. Achei aquilo tão interessante, não tinha este conhecimento, e com a experiência que havia tido com a meditação até o momento achei que fazia bastante sentido. Nossa, pra quê fui me ligar nisso? Neste dia tive uma das noites "de sono" mais estranhas da minha vida! Eu não sabia se dormia ou se estava acordada, e em diversos, vários momentos da madrugada eu ficava me dizendo, assim, meio espantada, meio que para me informar para mim mesma, que eu estava dormindo mas que estava consciente, e que na verdade estava tudo ok. Bem, sabe Deus o que aconteceu com a minha mente naquela noite, mas a sensação que tive foi de que não dormi mesmo, vi a noite passar consciente, mas acordei normalmente, bem disposta e sem sono. Ah, ok, sem mais sono que o normal...
Bichos por toda a parte
Durante o curso devemos observar o Código de Disciplina e, dentro dele, seguir cinco preceitos: abster-se de matar qualquer ser; abster-se de roubar; abster-se de toda atividade sexual; abster-se de mentir; abster-se de todo tipo de intoxicantes. Acontece que a essa altura estava achando estranha e curiosa esta experiência de não matar. No começo é meio desesperador: imagine ver diversos mosquitos se aproximando e não fazer nada, dormir sabendo que tem vááários pousados na parede ao lado da sua cama só esperando o banquete cair no sono pra atacar (e sim, sou alérgica a picadas de mosquitos...). Mas por outro lado fiquei pensando no monte de insetos que eu já matei na minha vida inutilmente. É que "não podendo" matar nada você vê que muitos insetos chegam próximo a você mas logo em seguida vão embora, é só esperar um pouquinho ou se esquivar em vez de entrar em pânico e esmigalhar os bichinhos.Outra coisa muito interessante sobre isso foi enfrentar o medo de certos bichos. Sempre tive verdadeiro horror a sapos - outro dia conto o trauma de infância... - mas depois de ter que pegar e soltar uma perereca (com o kit salve-insetos fornecido pela organização: um pote e uma bandejinha) percebi que os sapos pulam pra frente (vejam, depois de 10 dias sem falar num espaço físico restrito, alguns fatos aparentemente muito óbvios começam a soar como grandes revelações a respeito da verdade do mundo e das coisas). Ora, se pulam pra frente era só soltar a perereca com o seu focinho voltado para onde eu quisesse que ela pulasse (pra longe de mim, claro...). Batata! Fora isso a experiência me deu direções de como me movimentar perto de um sapo: simplesmente passar por trás dele. Isto foi comprovado e já experimentado em viagens posteriores.
Fuga??!?
Fora os momentos mágicos de revelações e contatos com grandes verdades universais, vez por outra eu me via com uma baita vontade de fugir. Assim, do nada, batia a maior vontade de largar tudo, pensava que estava numa furada, no meio de um bando de loucos, não precisava passar por nada daquilo, minha cama em casa era tão quentinha e macia, vai... Nessas horas era preciso disposição, força de vontade e uma certa dose de coragem para seguir em frente: não sabia aonde aquilo pretendia chegar, aonde eu ia parar, e, principalmente, SE eu ia chegar lá. Reunia então todas as forças e o tico de autoconfiança que ainda me restava e decidia continuar.Era assim como em muitas situações na vida, quando nos deparamos com algo difícil e que requer esforço de nossa parte, por mais que estejamos imersos em algum tipo de caos mental achando que não há saída, na verdade quase sempre é muito fácil fugir, deixar para lá, abandonar e arrumar outra coisa mais interessante para fazer (e ali no retiro era só ligar pro taxista que me levou pro centro de meditação e que nos aconselhou a anotar seu telefone em caso de alguma emergência, ao mesmo tempo em que relatava diversos casos de desistência). Mas algumas dessas situações temos simplesmente que enfrentar e, o que é pior, às vezes sabemos que temos que enfrentar e exatamente o que fazer e a perspectiva de realizar este esforço não é nada animadora. No final, esses diversos ciclos vontade de fugir - parar - pensar - encarar o tranco - ficar me ajudaram a encarar, após o retiro, diversas dificuldades como parte de uma coisa maior, sorrindo (às vezes literalmente), quase aproveitando aquilo como parte importante do fácil-difícil-fácil-difícil... A algumas, a outras dificuldades ainda não... ;)
Estranhíssimo...
Imagine que por volta deste dia eu já estava sensível a diversas sutilezas, tanto na meditação (às sensações...) quanto no dia-a-dia, que me passavam despercebidas. Percebi, por exemplo, que eu penteava meu cabelo com muita força, sem necessidade. Passei a fazê-lo com mais delicadeza e o que antes, para mim, sem perceber, era um momento com uma certa tortura passava a ser um momento agradável.Na meditação isso se refletia na percepção de muitas coisas. A respiração, por exemplo, às vezes era tão fina e tão pouca que parecia que eu nem estava respirando (o que às vezes me dava um certo medo). E outra experiência que tive me deixou super intrigada: eu tive uma sensação no peito do lado esquerdo, mas assim, não na superfície, mas por dentro, de uma "coisa" do tamanho de umas duas esponjas encharcadas de um líquido quente e consistentes que se movimentavam de forma ritimada juntamente com um leve som e pulsação no corpo inteiro. Enfm me toquei que era uma sensação de coração, mas assim, não o coração que estamos acostumados a perceber colocando o ouvido no peito de alguém e ouvindo tum-tum... Era um músculo, com movimentação - e som! - de uma espécie de esponja. Imagine tudo junto: forma, som, consistência, quente, movimento. Comecei a analisar aquilo então com esta perspectiva e a sensação se perdeu quase que imediatamente.
Fiquei super-hiper-bolada e na hora do almoço corri pra a entrevista com a professora pra perguntar se seria possível que fosse, de fato, o meu coraçãozinho, assim, numa mistura de medo e emoção. É que até aquele momento as instruções que recebíamos antes de meditar só falavam em sensações na superfície do corpo, imagine ver e sentir por dentro. A professora então ouviu atentamente ao meu relato e disse, impassível: "Sim, é possível que você sinta muitas sensações de todo o tipo, diferentes sensações, mas não dê importância a elas, o que importa é a sua equanimidade."
Claro, fazia muito sentido! Você percebe, assim, por auto observação, uma coisa que geralmente necessita de equipamentos de últimageração da medicina para ser mostrada e não deve dar a mínima, putz... Mas sim, sim: a prática é justamente consciência e equanimidade, as duas devem andar juntas ("como duas pontas da asa de uma águia, duas rodas de uma carroça..."). Uma mais que a outra, não há equilíbrio.
As sensações existem, e passam, não há porque ter aversão, não há porque ter apego. Compreendido isto no nível intelectual, o conselho da professora não surtiu grande efeito imediato, e eu só pensava/buscava as tais sensações inimagináveis, maravilhosas, mais e mais novas descobertas. Obviamente isso só me distanciava mais delas e da minha atitude relax que tanto havia me ajudado. De volta à confusão e conflitos mentais: uma parte busca as sensações a outra parte tenta convencer a primeira a deixar disso. E neste exato momento começava a rever o conceito de que "adoro minha própria companhia"...
Continue a acompanhar minha saga no Dia 08.
Foto bichos: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Insect_antennae_comparison.jpg
Outras fotos: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG80874-8055-503-1,00.html
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Nevou no meu caçador de sonhos!

Historinha curiosa... Vejam na imagem o caçador de sonhos pendurado ao lado da cama. Ele é feito de materiais naturais, sementes e variadas penas de pásaros. Pois o namorado ganhou um idêntico de presente, com uma ressalva: havia sido deixado em saco plástico por muito tempo antes de ser dado, e quando abriu estava todo... mofado!!! Iiiiiuuuuu...Bem, fiquei com uma pena danada de jogar aquilo no lixo, era um trabalho artesanal, fiquei pensando em quem havia feito aquilo, na poluição ambiantal, enfim... Viagem aqui e ali resolvi dar uma chance à coisinha que então estava chechelenta e malcheirosa, e lavei o treco todo. Esfreguei bem, bem e bem com escova e sabão e deixei secando por uma eternidade. Mas agora havia um pequeno problema: muitas das penas haviam se degradado com o mofo, sobrando nadinha.
A solução era adquirir novas penas pra repor. Pensei então: por que não colocar penas branquinhas? (mania de branquinho...). E por fim, por que não pintá-lo todo de branquinho também? (a tinta spray está resolvendo diversos problemas na minha vida, relatos em outro post). Feito isto então, a tinta não aderiu por completo na madeira, mas vejam o resultado, que fofo! Acabei por fim trocando de caçador de sonhos com ele, e agora tenho um caçador de sonhos siberiano :)Obs1: fotos tiradas de câmera fraquinha de celular, usem a imaginação e torçam para que eu adquira logo a câmera profissa.
Obs2: mais sobre caçador de sonhos na Casa Claridade.
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Dia 06
Para acompanhar melhor esta série recomendo a leitura do Prólogo.Com o assunto posição de meditação praticamente encerrado eu podia me "concentrar" em coisas mais relevantes, como..... a própria técnica e prática Vipassana! Com o corpo e mente mais tranquilos eu podia desenvolver melhor as instruções e passos da técnica e perceber sensações mais sutis. Uma coisa era certa: precisava praticar, praticar...
Sensações por toda a parte
Ao observar tudo, começava a perceber sensações inimagináveis, algumas indescritíveis. Como se eu estivesse num labirinto e a cada curva pudesse abrir um baú cheio de surpressas, louco mesmo. Acho que, em parte, por isso tive a certa experiência de infinito que comentei num post anterior: quanto mais explolrava mais podia perceber e sentir uma coisa muito profunda, como se não tivesse fim, e fosse mergulhando naquilo, ondas no mar, uma atrás da outra.Daí pensei algo que naquele momento achei genial: bem, sendo assim, com tantas coisas maravilhosas a descobrir somente no limite de meu próprio corpo, imagine o quanto não há para ser (re)visto e sentido no mundo. Nunca mais iria reclamar que não "há nada para fazer". Há todo um mundo novo a ser descoberto, basta saber observar, uau! Bem, até aí em algum momento também tinha concluído que nunca mais iria me coçar ou espirrar e nem por isso deixer de voltar a fazer os dois...
Estava indo tão bem...
Como se já não tivesse pensamentos pipocando o suficiente, com a chuva e a impossibilidade das pequenas caminhadas no jardim comecei a achar que granola e arroz integral poderiam ser muito carboidrato para esta criaturinha que passava agora 10 horas por dia sentada. Sim, fazendo jus ao título de Empresária neuróticA fiquei preocupada em engordar (em meio a um retiro de meditação), e no almoço resolvi comer um saladão e soja, só. Péssima idéia, não estava nem perto da hora do lanche e minha barriga parecia ter um buraco, assim, um Grand Canyon. Chegada a hora do lanche eu fiquei mais desesperada que aliviada ao comer pois as duas frutas e o leite não deram nem para tapar o buraquinho do dente.
Idéia de jirico! Até então eu não tinha sentido fome. Mal sabia que era justamente porque estava bem, a quantidade de comida era o suficiente e de alguma forma eu estava em equilíbrio neste aspecto. Lembrei do atendimento (sim, ele mesmo, o bicho sumido deste site) que insistiu para que eu levasse comida escondida, se soubesse do apuro em que me meti naquele dia ia rolar de rir, a malvadinha... Tudo o que eu queria era ter levado a tal comida emergencial.
Bicho-grilo
Em meio ao caos (mental, porque se perceberem a rotina não mudava muito...), quando a chuva dava trégua eu danava a "caminhar". Como a trégua era pouca ou nenhuma às vezes caminhava na chuva fina mesmo. E foi numa das minhas "caminhadas" que tive a certeza íntima de que havia desenvolvido um novo koan. Eu passava ao lado de um matagal com umas florzinhas roxas e todo dia, no mesmo horário e mesmo local ouvia um grilo cantar. E então comecei a Continue a acompanhar minha saga no Dia 07.
Foto buda: http://www.treklens.com/gallery/South_America/Brazil/Southeast/photo293724.htm
Foto flor: http://www.casadacultura.org/br/tem_nac/plant_br/arb_trep_erv/az/flord_mato/Flor_do_Mato-RJ_grd.jpg
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